MITO DAS ALMAS GÊMEAS

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Quem nunca ouviu dizer: encontrei minha alma gêmea! O que significa isso?
De onde saiu que nós, humanos, individuais, temos ou compartilhamos nossa alma com outro ser?
O mito da alma gêmea vem de séculos e séculos, e foi criado por Platão, que em seu livro O Banquete tenta definir o que é o amor.
E nessa busca, no muitos convidados de uma festa, cada um por vez, faz um elogio ao deus na Eros, deus do amor.
No entanto, um dos momentos mais fascinantes do texto é quando toma a palavra o poeta cômico grego, Aristófanes, contemporâneo de Sócrates.
Ele faz um discurso belo e que se o imortalizou como a teoria da alma gêmea.
Aristófanes começa dizendo que, no início dos tempos, a raça dos homens não era como hoje, era diferente, não havia apenas dois sexos.
Existiam três criaturas míticas proto-humanas. Andros, Gynos e Androgynos, sendo Andros uma entidade masculina composta de oito membros e duas cabeças; Gynos entidade feminina, mas com características semelhantes; e no Androgynos composto por metade masculina, metade feminina.
O nascimento dos Andróginos. A Mitologia Grega conta que Zeus declarou guerra ao seu pai Cronos e aos demais Titãs.
Ocorre que, durante cem anos, nenhum dos dois lados chegava ao triunfo. Então, Gaia foi até o Zeus e prometeu que ele venceria e se tornaria rei do universo se descesse ao Tártaro (espécie de inferno) e libertasse os Ciclopes e os Hecatônquiros, filhos de Gaia.
Ouvindo os conselhos de Gaia, Zeus venceu Cronos, com a ajuda dos filhos libertos da Terra e se tornou o novo soberano do Universo.
Todavia, Zeus realizou um acordo com os Hecatônquiros para que estes vigiassem os titãs. Zeus voltou a aprisioná-los no fundo do Tártaro.
Gaia então se revoltou com a traição de Zeus e lançou mão de todas as suas armas para destroná-lo. Como vingança, ela pariu incontáveis Andróginos.
Essa criatura primordial era redonda; suas costas e seus lados formavam um círculo e, conforme já dissemos, ela possuía quatro mãos, quatro pés e duas cabeças com duas faces exatamente iguais, cada uma olhando numa direção, pousadas num pescoço redondo.
A criatura podia andar ereta, como os seres humanos fazem, para frente e para trás. Mas podia também rolar sobre seus quatro braços e quatro pernas.
Os Andróginos surgiam do chão em todos os quadrantes da Terra, sua força era extraordinária e seu poder imenso.
E isso os tornou ambiciosos, levando-os a desafiar os Deuses e a escalar o Monte Olimpo com a intenção de destronar Zeus e destruir todos os deuses.
Reunidos no conselho celeste, Zeus, aconselhado por Têmis, decidiu que ele e os demais deuses deveriam acertar os Andróginos na coluna, de modo a dividi-los exatamente ao meio, para que tornassem menos poderosos, sem o precisar aniquilá-los.
Pois, aniquilar as criaturas significaria ficarem sem os sacrifícios, as homenagens e a adoração. Mas a insolência das criaturas era totalmente inadmissível, e, por isso, deveriam ser castigadas.
Zeus tomou na mão uma espada e cindiu todos os homens, dividindo-os ao meio.
À medida que as criaturas eram cortadas em dois, Apolo ia virando suas cabeças, para que pudessem contemplar eternamente sua parte amputada, como uma lição de humildade. Apolo também curou seus ferimentos, deu forma ao seu tronco e moldou sua barriga, juntando a pele que sobrava no centro formando o umbigo, para que eles lembrassem do que haviam sido um dia, e observasse o poder de Zeus.
Dessa forma, os homens caíram na terra novamente e, desesperados, cada um saiu procura da sua outra metade, sem a qual não viveriam. É por isso, que homens e mulheres vagueiam infelizes, desde então, em busca de sua metade perdida. Tentam muitas metades, sem encontrar jamais a certa.
Muito tempo se passou desde que Platão escreveu o livro “O Banquete” e, ao longo desse tempo, algumas distorções parecem ter surgido no mito que se tornou conhecido como alma gêmea.
A parte do mito sobre a origem da Humanidade perdeu-se ao longo das eras, mas a ideia de que o homem é um ser incompleto, em sua essência, perdura até hoje.
Embora o romantismo tenha sustentado esse mito por milênios, e muitos de nós desejemos que exista nossa metade eterna, é preciso refletir sobre isto à luz da razão.
Será uma verdade a teoria das almas gêmeas? A questão 323 do livro O Consolador diz que sim. No sagrado mistério da vida, cada coração possui no infinito a alma gêmea da sua, companheira divina para a viagem à gloriosa imortalidade.
Criadas umas para as outras, as almas gêmeas se buscam, sempre que separadas. A união perene é-lhes a aspiração suprema e indefinível.
Milhares de seres, se transviados no crime ou na inconsciência, experimentam a separação das almas que os sustentam, como a provação mais ríspida e dolorosa, e, no drama das existências mais obscuras, vemos sempre a atração eterna das almas que se amam mais intimamente, envolvendo umas para as outras num turbilhão de ansiedades angustiosas; atração que é superior a todas as expressões convencionais da vida terrestre.
Observação do Instituto André Luiz: A teoria das almas gêmeas (livro O Consolador), de Emmanuel, foi contestada pela FEB, Federação Espírita Brasileira, por mostrar-se, segundo a instituição, em contradição à resposta dada pelos Espíritos da Codificação (O Livro dos Espíritos, questões 298 e 299). Em amável resposta, Emmanuel corrigiu apenas questão 378 de seu livro, alegando problemas de filtragem mediúnica, ou seja, colocou a culpa no Chico, seu médium. A cara metade; a alma gêmea; o pedaço de mim; Quem é este outro que deveria nos completar? Não tem mesmo jeito. No fundo, no fundo, todos nós nutrimos a fantasia, de que em algum lugar deste planeta alguém está esperando, olhando para o mesmo céu e, sem nem saber que a gente existe, pensando em nós.
Se os Espíritos não têm sexo, como se explica a questão das almas gêmeas? A Questão 200 de O Livro dos Espíritos esclarece-nos que os Espíritos não têm sexo como o entendemos; e a Questão 298 informa-nos que não há união particular e fatal de duas almas. Repetindo a pergunta:
Existem as almas gêmeas, metades que se buscam para um embalo eterno? O Espiritismo diz que não, conforme está na Questão 298, de O Livro dos Espíritos. Se fôssemos seres incompletos, perderíamos nossa individualidade. Seríamos um Espírito pela metade, e não poderíamos progredir conquistar virtudes, ser feliz, a menos que nossa outra metade se juntasse a nós. Assim, a relação entre dois inteiros é bem melhor do que entre duas metades.
A Doutrina Espírita é clara no que diz respeito às almas gêmeas. Não existem metades que precisam se completar para desfrutar a eterna felicidade. Cada um de nós é uma individualidade que estabelece laços e afinidades com outras individualidades, através dos tempos e das vivências sucessivas. Se substituirmos o termo GÊMEA por AFIM, vamos perceber que são muitas as almas afins que encontramos e reencontramos por esse planeta, e que todas elas, cada uma a seu modo, têm seu espaço e importância em nossa caminhada. Amigos, filhos, irmãos, pais, mães, esposas e maridos, entre outros, formam a imensa fileira das relações de afinidade construídas vida afora.
Assim, vale pensar que, embora o romantismo esteja presente em novelas, filmes, peças teatrais, indicando que a felicidade só é possível quando duas metades de fundem, essa não é a realidade. Todos somos Espíritos inteiros, a caminho do aperfeiçoamento integral. Não seria justo que nossos esforços por conquistar virtudes fossem em vão, por depender de outra criatura que não sabemos nem se tem interesse em se aperfeiçoar. Por todas essas razões, acredite que você não precisa de outra metade para ser feliz. Lute para construir na própria alma um recanto de paz, de alegria, de harmonia e segurança, como Espírito inteiro que é. Só assim você terá mais para oferecer a quem quer que encontre pelo caminho, com sua individualidade preservada e com o devido respeito a individualidade do outro.
Tudo isso nos leva, portanto, a raciocinar que, nos planos superiores da vida não existe sexo como o entendemos, nem almas gêmeas existem em lugar algum do Universo. Porém, apesar da clareza dos ensinamentos espíritas, anda vemos muita gente boa, dentro do nosso movimento, cair nessa armadilha emocional das almas gêmeas.

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