A DOR QUE VOCÊ SENTE POR QUEM PARTIU

 

DOR DA PERDA

O fato é que ninguém está no lugar de ninguém. Cada um só pode viver e sentir a própria experiência. Vez por outra, numa curva do caminho, encontramos alguém que passa por algo bem parecido conosco. Mesmo assim, parecido não é igual. O modo como se enfrenta as mesmas circunstâncias é algo bastante peculiar. É isso que nos faz indivíduos. E é isso também que torna tão difícil compreender o outro.

Porém, falávamos das dores. Há muitos tipos de dores, mas talvez as mais desesperadoras sejam as dores da alma. E uma dessas dores se chama saudade. Saudade é uma dor de falta, mas não uma falta qualquer. A falta de algo ou alguém que já se teve e não se tem mais. Algo ou alguém que percebemos ser muito especial. Não se sente falta de coisas insignificantes.

Mas foquemos em alguém, porque pessoas são mais importantes que coisas. Podemos sentir saudades de alguém que está distante e ainda pode voltar. Há neste caso uma meia perda. A morte, porém, é perda total. Quem foi não volta, e por mais que nos apeguemos à crença numa vida além-túmulo e sua consequente esperança de um reencontro, não poderemos negar que houve mesmo assim uma morte, uma perda irreversível: encontrar aquela pessoa, naquelas condições que conhecemos, naquele contexto querido, nunca mais acontecerá.

A dor do luto é esta dor diante do irreversível, do que não tem volta. Se ela, por si, já é terrível, dolorosa mesmo é quando vem associada à culpa. A Psicologia demonstra que na maior parte dos casos de luto patológico (quando o sofrimento ocasionado pela perda de um ente querido se torna crônico e paralisante), estão associados à perda, sentimentos de culpa.

Quando uma pessoa não consegue retomar a vida por causa da saudade que sente de alguém que morreu, é provável que tenha ficado algo pendente na relação. Por exemplo: um filho que não disse à mãe o quanto a amava, ou um pai que não pediu perdão ao filho por ter exagerado nas cobranças, ou um amigo que deixou de falar com outro sem maiores explicações, ou uma namorada que se recusou a falar com o amado naquela que foi a última da vida dele. Enfim, algo que gostaríamos de ter feito e não fizemos.

Para tais situações, o auxílio de uma terapia psicológica é importantíssimo. É preciso encontrar uma forma de equacionar a sensação de incompletude e prosseguir vivendo sem culpa.

Em todo o caso, o mais importante é prevenirmos. Seria interessante vivermos cada dia como se fosse o último. Não digo isso no sentido de viver irresponsavelmente, mas de procurar não deixar nada pendente, ou, como diz o ditado: “Não deixar para amanhã o que pode ser feito hoje”.

O Dr. Ira Byock, médico conhecido mundialmente por seu trabalho com cuidados paliativos – nome dado ao acompanhamento oferecido a doentes considerados incuráveis, e revestido de valores éticos, técnicos, científicos e humanos –, constatou que para as pessoas que estão morrendo, o que mais importa pode ser resumido em quatro expressões:

Perdoe-me!
Eu perdoo você!
Obrigado!
Eu te amo!
Ou seja, é preciso partir deste mundo sem deixar inacabado o que há de mais significativo. E o que é mais significativo? As relações! Não imagino que alguém, no último dia de vida, lamente não ter concluído a tese de mestrado ou comprado o carro do ano. Neste momento, são as relações que emergem em toda sua importância. O cônjuge, os filhos, os irmãos, os pais, os amigos recebem, finalmente, a atenção que não tiveram por tanto tempo. Infelizmente, o tempo nesta hora é pouco. Uma pena que não tenhamos atentado para isso antes…

O ser humano possui uma tendência inata a fechar o que está em aberto. Se não o faz, ele sofre, se angustia. Para evitar esta dor, psicologicamente, é aconselhável não deixar pendências nos relacionamentos. Esclareça tudo e, especialmente, não maltrate quem você ama. É comum sermos gentis com os estranhos e despejarmos nos que amamos as nossas frustrações. Nada mais injusto. São estas pessoas, geralmente a nossa família, que estarão conosco nos momentos mais difíceis da vida, quiçá os momentos finais. Só então reconheceremos seu valor, quando talvez seja tarde demais… Pois o amor poderá ter submergido num mar de mágoas. Por que deixar isso acontecer? Por que não nos precavermos dos remorsos? Melhor começar agora a agir coerentemente e mostrar amor, amando.

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