EMMANUEL, PAULO DE TARSO E JOSÉ DE ANCHIETA

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O trabalho conjunto na fundação de São Paulo
Este trabalho, por revestir-se de importância ao esclarecimento de fatos envolvendo figuras históricas e respeitadas no meio espírita, entendemos como oportuna a sua divulgação.
Emmanuel, como se sabe, acompanhou o médium mineiro Francisco Cândido Xavier por mais de 70 anos dos 92 vividos na Terra, sendo seu Mentor e Orientador durante toda a sua vida. Foi através de Emmanuel ou por seu intermédio que Chico recebeu, por meio da psicografia, as inúmeras mensagens que nos resultaram mais de 430 livros. Portanto, o tributo consagrado a Emmanuel, aqui na figura do Padre Manoel da Nóbrega, é de elevação soberana.
O texto foi elaborado por Izabel Vitusso e publicado no Anuário Espírita de 2006, da Editora EME, organizado por Eduardo Carvalho Monteiro e Leandro Borba.
“Acredito que a maioria de nós, ao ouvir referências sobre a história do Cristianismo, lembra-se de imediato das figuras que participaram do desenrolar dos encontros e perseguições entre os que se tornavam adeptos do Cristo e os seguidores do Judaísmo”. Paulo de Tarso, o convertido de Damasco, e o senador romano Públio Lentulos estão entre eles.
O mesmo acontece quando estudamos a história da colonização brasileira: José de Anchieta é quem logo nos salta à mente, embrenhando-se entre os índios, com seu semblante pacífico e introspectivo. Mas difícil é fazermos a ligação entre esses três personagens, quando a referência é a história da fundação da cidade de São Paulo.
Isso mesmo! Os três estiveram juntos!

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Conta-se que Emmanuel, com sua nova roupagem na Terra, na figura de Padre Manoel da Nóbrega, ao celebrar a primeira missa na manhã de 29 de agosto de 1553, onde hoje é o Pátio do Colégio, recebeu a visita do espírito de Paulo de Tarso, que lhe apontou as campinas circunvizinhas e lhe pediu que em nome de Jesus ali se estabelecesse uma cidade sobre as colunas do Cristianismo.
Amor, fé, trabalho e instrução: Manoel da Nóbrega não perdera de vista um só instante os quatro elementos que deveriam fazer parte do alicerce de seu novo desafio. Sua primeira providência foi dar pressa à construção do Real Colégio de Piratininga, que no prazo de cinco meses já se revelava no planalto, certamente sob a inspiração do “Apóstolo dos gentios”.
Impressionado com a visão que tivera o convertido de Damasco e no forte desejo de ver cumpridas as orientações que recebera, Nóbrega escolheu o dia 25 de janeiro de 1554 para a inauguração da obra, data que relembra a conversão de Saulo de Tarso ao Cristianismo primitivo e, à cidade atribui o seu nome.
Manoel da Nóbrega não foi somente a alma da missão dos jesuítas do Brasil, onde chegara em 1549, contando 32 anos. Esse se destacara como homem político e conselheiro do governador-geral da colônia, Mem de Sá. Trazia em seu espírito a bagagem adquirida em encarnações anteriores na vida pública, como a que fora o senador romano, ao tempo de Jesus. Revelava-se com suficiente capacidade, ânimo e compromisso com a expansão do catolicismo pela colônia portuguesa. Foi ele quem teceu os primeiros contornos políticos e geográficos da nação, com o trabalho de disseminação do Cristianismo pelo litoral brasileiro.
Registram os historiadores que ele era gago, mas tal fato, se real, não lhe deve ter causado o menor constrangimento, por ter sido ele a primeira pessoa a realizar sermões, pregando pela libertação dos escravos. Sua visão humanitária, coerente com os ensinamentos do cristo, não lhe permitia assistir a qualquer ato de desrespeito aos direitos humanos, sendo esse o motivo de confronto com bispo e governantes, que, mergulhados no esquecimento temporário da encarnação, perdiam muitas vezes a consciência espiritual da grande missão.

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Mas se Nóbrega idealizou e iniciou a cidade, foi José de Anchieta quem a consolidou e civilizou. Diferentemente da visão estrategista de Nóbrega, padre José de Anchieta trazia seu pendor para a educação. Foi a ele que Nóbrega entregou a nobre missão de ministrar lições de Humanidades no Colégio São Paulo. Gozava Anchieta do respeito dos padres jesuítas, por sua grande espiritualidade, e, segundo contam, a grande dedicação ao estudo, oração e penitências, ao se iniciar na ordem dos jesuítas, é que acabou comprometendo-lhe a saúde. A tuberculose foi a responsável por deixar José de Anchieta corcunda e por fazer operar a grande mudança em sua vida, devidamente programada no Mundo Maior. Mudar-se para o Brasil, como última tentativa de recuperação da saúde, foi a orientação que recebera dos médicos de Portugal.
Ao chegar às terras do cruzeiro, impressionou-se com o que viu: onças pintadas, boas de se comer, lagartos enormes do tamanho a poder comer um homem, que se chamam jacarés, conforme narra em carta enviada a seus superiores.
Nesse ambiente díspar de tudo quanto conhecia, iniciara o trabalho de divulgação do Cristianismo, como membro da ordem dos jesuítas, no Brasil, trajando a batina escura a delinear as costas proeminentes, em contraste com os olhos azuis, que chamavam a atenção dos aborígenes. Embora tivesse ar de muito mais velho, contava apenas com 16 anos quando pisou pela primeira vez em terras brasileiras.
Desde o primeiro contato com os índios, soube obter a admiração, aprendendo a língua nativa, ensinando a portuguesa e, acima de tudo, respeitando aquela cultura totalmente adversa, incluindo o hábito de não se vestirem e de devorarem os seus prisioneiros.
Tão importante quanto a divulgação dos ensinamentos do Cristianismo, entendia que ali estavam irmãos seus, merecedores de profundo respeito, ainda que chegasse a ser refém de índios bravios, os tamoios, que viviam onde hoje se encontra a cidade de Ubatuba. Anchieta se ofereceu para ficar como refém, no lugar de Padre Manoel da Nóbrega, que se encontrava muito enfermo. Durante dois meses, passou frio e humilhações, além de receber ameaças de morte. Foi como prisioneiro que José de Anchieta escreveu na areia da praia de Itanhaém as primeiras estrofes dos 5.731 versos de um poema que conta a história de Maria.
Sua mansuetude e coragem fizeram com que as ameaças que recebia inicialmente da tribo cedessem lugar, aos poucos, à admiração. Quando os índios o ameaçavam de devorá-lo, Anchieta pacificamente respondia que ainda não havia chegado o momento. E dizia a si mesmo, como contou depois, que primeiro deveria terminar o poema a Maria. Alguns relatos dão conta de que sua facilidade em levitar e sua proximidade com os pássaros, que o rodeavam constantemente, também teriam causado grande admiração nos índios, que o acabaram libertando.
Quando desencarnou, em 1597, contando 63 anos de idade, José de Anchieta havia conseguido mais do que a admiração dos portugueses e nativos brasileiros. Partiu deixando disseminado o embrião que prepararia a terra do pacifismo, da irmandade, do coração do mundo. Quantos dos irmãos comprometidos com a divulgação do Consolador Prometido ainda não se revezam no campo reencarnatório, em roupagens diversas, anônimos, a fim de assegurarem que nesta pária, mãe gentil, possa definitivamente resplandecera imagem do cruzeiro!”.
Foto “1”: Emmanuel, pintura mediúnica de Anna Grimaldi Cortázzio, no início da década de 1970, enquanto Chico Xavier fazia oração, em Chá Beneficente em São Paulo-SP.
Foto “2”: Padre Manoel da Nóbrega, desenho baseado na cabeça modelada em 1554, por José de Anchieta.

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